Um Brasil que ainda pode dar certo – Paraná Notícias

Um Brasil que ainda pode dar certo

Quando esse jovem loiro autodeclarado negro se disse arrependido e abandonou a UFMG, os brasileiros tiveram um alento. A questão em pauta não é a desistência desse rapaz que por um ato de sanidade resolveu corrigir um erro que ele mesmo cometeu.

A pergunta é: quantos Vinicius Loures existem, se apropriando de uma política pública desastrosa de distribuição de cotas com critérios escabrosos?

Loures é o jovem branco de Belo Horizonte que se autodeclarou negro e fraudou o sistema de cotas raciais para medicina na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), um dos casos revelados pela Folha em setembro.

O jovem de 23 anos estudou mais de oito horas por dia, decidido a conquistar uma vaga no curso de medicina. Dessa vez, queria passar do “jeito certo”. Ele frequentou a faculdade por apenas 50 dias.

Após ser denunciado por movimentos negros, no final do mês passado desfez a matrícula. Antes disso, Loures já tinha se inscrito no Enem, pois desde que iniciou as aulas era preterido e diz que se sentia incomodado. “Eu sabia que estava errado, sentia no olhar de pessoas que não me conheciam e não se aproximavam porque eu era o ‘manezão’ que burlou as cotas, o sem-caráter”, afirma ele, que acredita que o seu caso chamou atenção por ele ser “ex-modelo, loiro do olho azul”.

Neste Enem, teve ótimo desempenho na prova e na redação, conta. Acertou 12 questões a mais que em 2016. Loures acredita que deve atingir uma nota capaz de entrar em diferentes universidades do país. Agora, está disposto a mudar de cidade para se formar médico. A UFMG não é mais uma preferência. “Acho que superei essa história. Recebi mensagem de estudantes negros apoiando a minha decisão [de sair da vaga], mas é uma parada que vai ficar marcada.”

Vamos lá Brasil, ainda acreditamos na honestidade, que exemplos como esse sirvam de alento para o povo brasileiro.

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